Dinheiro em Árvore? Nem no Vale do Silício


(in Portuguese, originally written for IVP)

Nos últimos anos, encontrei centenas de empreendedores brasileiros visitando o Vale do Silício. Quando pergunto “qual o seu objetivo nessa visita?”, invariavelmente ouço “tenho uma startup, vim procurar um VC e tentar pegar um investimento”.

Nesse post, eu o convido a visitar a California, mas também explico alguns conceitos básicos de investimento em startups e mostro que “pegar um investimento” não é um objetivo realista para a grande maioria dos empreendedores brasileiros visitando o Vale.

Empreendedor, Angel and Venture Capital

Empresas podem nascer, crescer e morrer de várias formas, mas durante as últimas décadas o Vale do Silício na California desenvolveu um modelo de empreendedorismo que parece maximizar a eficiência do ecosistema empreendedor.

No estágio inicial, uma startup é financiada pelos próprios fundadores (economias pessoais, investimentos de amigos, empréstimos bancários, suor e trabalho). Bootstrapping é o processo no qual a empresa desenvolve o produto e gera receitas para pagar as contas e crescer sem capital externo adicional.

Embora bootstrapping possa ser o caminho para a sua empresa, no modelo padrão existem dois tipos de investidores que fornecem o capital para a empresa crescer. Isso permite planos de negócios com riscos e objetivos mais agressivos.

Angel Investors são indivíduos ou grupos de indivíduos que investem capital próprio. A decisão de investimento ocorre por “gut feeling”, envolvendo experiência no mercado, relação de confiança com fundadores, e paixão pela tecnologia. Normalmente Angels investem cedo na evolução da empresa e, nos EUA, fornecem USD$100-$500k.

Para receber angel investment, uma startup precisa ter um protótipo do produto/serviço e alguns usuários ou clientes. O empreendedor precisa mostrar que conhece o mercado e o problema, sabe o caminho para uma solução viável, e consegue executar. O investimento normalmente é utilizado para completar o desenvolvimento do produto e validar o modelo de negócios.

VC Investors são fundos administrados por profissionais. A decisão de investimento é baseado em análise, já que o VC precisa justificar o aporte para os investidores e manter o perfil de investimento do fundo. Normalmente VCs investem mais tarde na evolução da empresa e, nos EUA, fornecem USD$1-5M em uma rodada inicial.

Para receber investimento VC, uma startup precisa ter um produto no mercado. Para um serviço de Internet, ter 100k’s usuários e taxas de conversão/retenção boas.  Para um produto corporativo, precisa ter vários clientes com validação da proposta de valor e a recomendação de analistas de mercado independentes. O empreendedor precisa mostrar que o modelo está validado e que capital é o último fator necessário para escalar o negócio.

A Startup Brasileira e o Silicon Valley

Para quem me conhece, eu sempre falo que é quase obrigatório para um empreendedor planejando jogar pelas regras do jogo acima visitar o Vale do Silício e passar algumas semanas aqui. Escrevi sobre as razões disso em um post anterior e outro.

Mas vir para o Vale para “tentar um investimento” não é realista porque esse ecosistema é altamente local. Por motivos legais e logísticos, é raro para um investidor Angel ou VC investir em uma empresa brasileira trabalhando o mercado local. Mesmo quando ocorre, o aporte exige que a empresa se estabeleça nos EUA. Então o dinheiro do Vale (1/3 de todo o capital de risco no mundo) não é diretamente acessível ao empreendedor Brasileiro.

A boa notícia é que esse mesmo ecosistema está se formando em outras partes do mundo e o mercado está respondendo à onda de empreendedorismo ocorrendo no Brasil. As incubadoras e aceleradoras estão se multiplicando (com as boas e más consequencias da expansão rápida). Fundos Angel (como a própria IVP) e VC estão se formando (com capital nacional e daqui do Vale).

Mas e a história do empreendedor que recebeu $5M do VC somente com um PowerPoint? E o Instagram que teve um exit de $1B sem ter um modelo de negócios? Sim, mas essas são as excessões que aparecem na mídia e criam a ilusão que é fácil pegar investimentos sem um negócio viável. Para os 98% de startups normais, as regras se aplicam.

Então me siga no Twitter venha me visitar aqui no Vale do Silício (tour), mas não porque você ache que dinheiro para startups cresce em árvores.

Marcio Saito foi de São Paulo para a California para ajudar a estabelecer a Cyclades (a primeira empresa brasileira de tecnologia a se estabelecer no Vale) 20 anos atrás e acabou ficando. Trabalha com tecnologias de Data Center e Social Media. Envolvido com empreendedorismo, hoje coordena o programa de mentoria da Bay Brazil, uma entidade que conecta as comunidades profissionais do Brasil e Vale do Silício.
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Esse é o Ano das Mídias Sociais em Negócios (você acredita?)


“We always overestimate the change that will occur in the next two years and underestimate the change that will occur in the next ten.”    Bill Gates

[This post originally written for IT Web http://itweb.com.br%5D

Perspectiva histórica: Email em 1995 era a Midia Social de 2012

Em 1993 eu já morava no Vale do Silício e comecei a usar minha primeira conta de email. Dois anos mais tarde, a AOL consolidou os provedores de Internet aqui nos EUA (e, logo depois, a UOL no Brasil) a grande maioria dos consumidores tinham acesso a Internet e Email.

Me lembro que a maioria das empresas proibiu o uso da Internet nos computadores corporativos sob o pretexto de que ela iria distrair os funcionários no trabalho e facilitar o vazamento de informações confidenciais da empresa.

É difícil imaginar hoje que, apenas 15 anos atrás, as empresas usavam memorandos impressos para comunicação interna e fax para trocar documentos com clientes e resistiam a adoção de Internet Email, que hoje é a base da comunicação corporativa.

Tecnologia muda mais rápido que as pessoas

Quem vive em tecnologia por mais de alguns anos já sabe que a história se repete. Uma nova tecnologia aparece (inovação), todo mundo fala e escreve sobre como ela vai mudar o mundo (hype), daí nada aparente acontece (frustração). Quando dá certo, a tecnologia mostra o valor e é adotada alguns anos depois.

Uma busca rápida mostra, por exemplo, que todo ano desde 2008 tem sido anunciado por analistas e outros oráculos como o “The Year of Cloud Computing”.

A Gartner (uma empresa de análise de mercado) modelou esse comportamento do mercado no que eles chamam de “Technology Hype Cycle”.

Mídias Sociais: Desconte a hype e prepare-se para o futuro

As mídias sociais se diferenciam de inovações voltadas para adoção por empresas (como o exemplo de Computação nas Nuvens). Como a Internet e comunicação por Email na década de 90, Mídias Sociais estão sendo adotadas pelos consumidores. Funcionários já usam ferramentas como Twitter e Facebook em casa (e, se a empresa não bloqueia, também no ambiente de trabalho).

Então, nesse caso, adaptar o negócio para a adoção da tecnologia não é uma decisão deliberada do CIO ou do departamento de TI. Ela ocorre de baixo para cima, trazida para a empresa pelos funcionários. Além de impactar produtividade, é também transformativa porque altera o comportamento e a comunicação entre as pessoas.

Como na década de 90, as empresas que acordarem para essa realidade mais cedo, vão começar a se capacitar e adotar tecnologias enquanto a mídia e os analistas se desapontam com a adoção pelo mercado. Quando o efeito transformativo se tornar evidente, não nesse ano, mas nos próximos 3 ou 4 anos, elas ganham vantagem competitiva.

Conclusão

Se você acha que toda a falação sobre mídias sociais transformando o mundo no ano passado era um exagero, você provavelmente estava correto. Agora é a hora de, enquanto o excitamento se desinfla, começar a investigar e capacitar o time para a adoção de mídias sociais em 2012.

É hora de desenvolver as parcerias de tecnologia e começar a implementar os sistemas para ter um feliz ano novo nos anos que vem pela frente.

3 fatores para Falar como Gente nas Mídias Sociais


[Esse artigo foi escrito para publicação em itweb.com.br]

A melhor linguagem para expressar nossas idéias depende do canal de comunicação utilizado. A mensagem que funciona no catálogo de produtos, pode não ser a melhor para um comercial de televisão.

Qualquer um em marketing sabe disso, não é mesmo? A verdade surpreendente é que não. Toda vez que uma nova mídia aparece, nós tentamos usá-la com conteúdo da mídia anterior.

Os primeiros jornais falados na televisão apresentavam locutores lendo os jornais do dia em frente da câmera. Os websites da década de 90 pareciam folhetos online. A transição para mídia social não é excessão.

A Mídia Social é uma Conversa

Em meu post anterior “7 Ações de Mídia Social para quem tem mais o que fazer”, listamos como a ação número 1 “Falar como Gente”.

A forma mais efetiva de se comunicar com outras pessoas é através da interação direta no mundo real. Mas porque é difícil se ter esse tipo de interação com um grande número de pessoas simultaneamente, o Marketing usa as mídias de comunicação de massa ( jornais, revistas, televisão e, mais recentemente, email e websites).

Essas mídias, sendo uni-direcionais e não interativas, são particularmente eficientes para transferir mensagens de alguém mais informado para a massa desinformada. Não há interação, então as mensagens tem que ser formatadas para influenciar e serem absorvidas pela audiência sem questionamento.

A mídia social, por outro lado, é aberta a participação, permite comunicação entre membros da audiência sem mediação, e emula algumas características da interação direta, pessoal.

Fale como gente ou fale sozinho

Consumidores hoje tem acesso a informação e entendem os mecanismos de marketing. Eles perderam a inocência que permitia a manipulação através da formatação da mensagem ou a utilização dos métodos tradicionais de influência.

Dizer que um produto que “tem a mais alta performance do mercado” é quase padrão na linguagem de marketing tradicional, mas essa afirmação é fácilmente desmentida na comparação com competidores em sites de compra, fóruns especializados, ou ambientes onde clientes dão nota para os produtos que usam.

Um filme não decola simplesmente convencendo o crítico de cinema a elogiar na coluna do jornal de domingo, se o público não gostar e der 5 estrelas nos sites de opinião. A opinião de um analista de mercado ou a associação da marca com uma celebridade também estão perdendo a capacidade de influenciar consumidores.

Consumidores ganham mais poder nas mídias sociais, podem influenciar outros consumidores. Esse poder pode ser bom ou ruim para as empresas. Nos próximos posts nesse blog, vamos analizar vários aspectos e recomendar estratégias para ter sucesso com mídias sociais.

Mas o primeiro passo é ajustar a linguagem. Nas Mídias Sociais, o Marketing precisa abandonar o “marketing-speak” e adotar uma linguagem:

  • Informal – Mais próxima da linguagem falada
  • Aberta –  Que assume e permite a participação da audiência
  • Transparente – Diga os fatos como eles são

Compare:

  • Nossos automóveis usam tecnologia “state-of-art” VHT, desenvolvida por técnicos especializados na Alemanha para oferecer o mais alto nível de desempenho do mercado. Em testes do instituto 4 Calotas, superamos o competidor A em torque e aceleração e batemos o competidor B em consumo de combustivel o que mostra indiscutivelmente que temos o melhor carro do mundo. Nossos clientes são pessoas inteligentes, de alta-classe e sucesso na vida. Veja o depoimento do nosso cliente escolhido-a-dedo. A revista auto-carro deu nota 9! Você não pode deixar de comprar!
  • Nossos carros usam um motor Alemão que oferece um bom compromisso de velocidade e economia. Confira os comentários de todos os clientes que compraram o carro no ano passado em nossa página no Facebook. Veja comparação com competidores A e B no site da revista auto-carro. Ligue e faça um test-drive.

Minhas Partes Privadas


(This post originally written for ITweb.com.br)

Paralelo entre Privacidade Pessoal e Transparência Corporativa

No passado, eu me esforçava para manter minha vida relativamente privada. Não apenas no sentido de manter informação pessoal fora do domínio público, mas também em segmentar meus círculos pessoais. Eu tinha várias identidades, com separação clara em como eu me apresentava para a família, amigos, colegas de trabalho, etc.

Quando eu comecei a usar redes sociais online alguns anos atrás, inicialmente trouxe a segmentação para a vida digital – eu comunicava com a família usando to telefone e email, Facebook com meus amigos na California, LinkedIn para contatos profissionais, etc. Mas com o passar do tempo, ficou cada vez mais difícil evitar o vazamento de contexto entre esses grupos.

Menos segmentação

Até o ponto onde eu desisti de manter essa segmentação. Uma vez que nos abrimos, fica muito difícil gerenciar o que se diz para cada grupo e quem pertence a mais de um grupo. Eu ainda procuro rotear informação relevante para as pessoas corretas, mas assumo que tudo o que eu digo online pode e vai ser visto por todo mundo. De certa forma, desisti de minha privacidade (como a maior parte das pessoas a definiria).

Foi difícil fazer esse salto, mas o que eu descobri é que a experiência de fazê-lo foi liberadora. Uma vez internalizada essa nova transparência, eu não preciso mais pensar duas vezes sobre quem é a audiência antes de escrever ou dizer algo. Eu posso dizer o que eu realmente penso, desde que seja algo que eu estaja disposto a dividir com o mundo.

Eu não defendo o fim ao direito a segmentação, privacidade, ou segredo. Pelo contrário, esses direitos se tornam ainda mais importantes para a liberdade em um mundo mais conectado. O que eu quero dizer é que, de uma perspectiva pessoal, limitar o nosso exercício exagerado desses direitos pela ilusão de privacidade pode ser uma experiência muito positiva.

Peço que reflita sobre isso. A nova geração (os “Millennials” – gente que cresceu com a mídia digital) só conhece esse jeito mais transparente de ser.

O pessoal se torna empresarial

Meu argumento nesse artigo é que o mesmo se aplica às empresas e organizações. Sempre que falo em transparência organizacional, encontro ceticismo de gente como eu, treinada em segmentação funcional, onde cada departamento ou funcionário foca em um pedaço do problema e não precisa ter a visão do todo.

Mas o mundo está mudando. Nós vamos de uma realidade onde cada um sabe apenas o que é necessário, para onde informação é pública por default. Transparência corporativa sacrifica algum foco e responsabilidade individual mas, se a visão e estratégia forem projetadas corretamente, traz ganhos na execução e alinhamento de todos na organização.

Para empresas se relacionarem com um mercado onde consumidores estão informados e conectados a mídia social e os funcionários são condicionados a operar de forma colaborativa, elas precisam se tornar mais a transparentes para sobreviver. Essa transformação tem que acontecer de dentro para fora. A organização tem que ter confiança nos funcionários e dar autonomia que eles possam a representar bem. frente aos clientes.

Se você ainda está cético, é hora de refletir. A experiência organizacional vai seguir o mesmo padrão que estamos enfrentando na nossa vida privada. Uma vez que nos abrimos mais para o mundo, descobrimos que é mais fácil e melhor viver assim. É mais fácil fazer negócios assim. É uma questão de sobrevivência.

E você, qual é o seu segredo?

7 Ações em Mídia Social para quem tem mais o que fazer


[This article was written for IT Web]

Se acreditarmos nos experts, a Mídia Social vai revolucionar a sua empresa da noite para o dia. Será que isso é mesmo verdade?

Quem tem experiência em negócios sabe que idéias mudam de forma revolucionária e as vezes isso é importante para gerar a consciência da mudança. Mas a execução dessas idéias nas empresas e no mercado sempre ocorre de forma gradual.

Esse artigo discute o impacto da mídia social na sua empresa oferece uma lista de ações a serem consideradas por você, o empresário do mundo real, que precisa se manter a frente das tendências em tecnologia, mas tem outras coisas importantes com que se preocupar.

A mídia social é somente outra mídia

A não ser que o seu negócio seja intrínsicamente ligado a mídia (publicações, televisão, jornais, etc), a mídia social é apenas mais um canal a ser usado para se comunicar com o mercado.

O uso efetivo de novas mídias pode facilitar comunicação em vendas, marketing e suporte ao cliente mas não alteram os objetivos fundamentais do seu negócio: criar produtos competitivos que resolvem problemas reais, conquistar clientes e mantê-los satisfeitos com os serviços prestados.

Mas Social é uma mídia diferente

Diferente da mídia tradicional, a mídia social é aberta e permite comunicação bi-direcional e entre participantes  sem mediação da empresa. Porisso, a adoção progressiva da nova mídia vai exigir não só um ajuste na comunicação, mas também uma mudança fundamental da atitude frente ao mercado.

Empresas precisam escutar mais e participar em um diálogo com o mercado. Já está claro que o acesso e controle exclusivo da mídia pelas empresas virou história. O que o público diz é importante e não pode ser ignorado.

Clientes satisfeitos trazem os amigos

O marketing tradicional tem uma visão segmentada da relação com o mercado, considerando produto e satisfação do cliente, mas focando primariamente na gestão da percepção da marca através da influência direta usando os meios de comunicação de massa.

Com o uso efetivo da mídia social, se torna possível a criação de modelos de marketing com foco direto na satisfação do cliente, contando com propagação social da percepção da marca (a versão moderna do “boca-a-boca”).  Clientes satisfeitos tem acesso a mídia, podem influenciar outras pessoas e trazer novos clientes para a empresa.

Se isso for verdade, empresas capazes de evoluir um modelo de negócios mais social vão ganhar vantagem competitiva ao longo do tempo, na medida que a nova mídia ganha mais espaço em relação a mídia tradicional. Essa evolução já começou e vai se desenrolar pelos próximos anos.

7 ações em mídia social

Somente você pode julgar o que se aplica e quais são os passos mais prioritários na sua empresa, mas aqui estão algumas sugestões de ações para iniciar essa jornada em mídias sociais.

  • Fale como gente! Clientes sabem o que está por trás das mensagens de marketing.  Ajuste a linguagem da empresa para se adaptar a uma mídia mais interativa: mais transparência e linguagem e direta, evitando o uso de “marketing-speak”.
  • Reconheça o valor real dos clientes. O valor monetário de um relacionamento não está apenas nas transações de venda. Clientes podem gerar valor contribuindo para a melhoria do seu produto e influenciando outros clientes. Invista recursos considerando o valor co-criado durante o ciclo de vida da relação com o cliente.
  • Assuma a relação com usuários do produto. Outsourcing ou vendas através de canais indiretos, onde outras entidades representam a sua empresa ainda podem tem o seu lugar na sua estratégia. Mas se você não controlar o relacionamento e interação com clientes, a competição vai fazer isso.
  • Transparência em atendimento ao cliente. Sua base de conhecimento de suporte técnico pode ser aberta para receber contribuições externas e ser acessíveis a clientes diretamente. Usando mídias sociais, a comunidade de usuários não vai apenas encontrar informações sobre os seus produtos, mas vai também ajudar a suportar outros clientes.
  • Co-criação no desenvolvimento de produtos. Mais do que ter um gerente de produto coletando dados de mercado, abra o processo de desenvolvimento para incluir opiniões diretas de clientes sem intermediários em um processo contínuo e interativo. Tecnologias sociais para isso estão se tornando disponíveis.
  • Opere em tempo real. Pesquisas e questionários ajudam a identificar problemas na experiência de um cliente para que eles possam ser resolvidos para o próximo cliente. Em mídias sociais, você precisa detectar e sanar problemas em tempo real, antes que o cliente insatisfeito influencie 10 outros possíveis clientes.
  • Marketing como câmara de ressonância. O marketing tradicional usa folhetos com “case studies” como referencia para novos clientes. Em mídias sociais, marketing pode amplificar a voz de clientes satisfeitos para que ela tenha um efeito direto em outros clientes, sem intermediação. O cliente satisfeito age como defensor da sua marca.
Se você leu esse artigo inaugural de “Midias Sociais e Negócios” no IT Web e quer ver mais conteúdo como esse, ajude a divulgar esse blog “curtindo” esse post e compartilhando o link com outras pesssoas possivelmente interessadas. Afinal é assim que o marketing social funciona.

Por que ir para o Vale do Silício?


Lobby do Facebook (eu mesmo tirei, ontem)

Location, Location, Location

De acordo com o filme “The Social Network”, foi o Sean Parker (fundador do Napster) quem convenceu o Mark Zukerberg que o lugar certo para criar uma empresa de Internet é o Vale do Silício. Foi assim que Facebook saiu de Harvard e veio parar em Palo Alto na California.

Em 1992, eu me mudei de São Paulo para a California para ajudar a começar a Cyclades. Nós acabamos dando certo porque tivemos a “sorte” de nos envolver com Linux antes dele ficar conhecido. Depois demos “sorte” de novo de encontrar a Google e Yahoo! em 1999 e desenvolver um produto para ajuda-los a gerenciarem o novo tipo de datacenter que surgiu com aplicações de Internet.

Nós nunca vamos saber se estar no Vale foi motivo pelo qual o Facebook acabou ganhando do MySpace (que ficou onde começou, em Beverly Hills) em redes sociais ou do sucesso da Cyclades, uma das primeiras empresas brasileiras a se estabelecerem por aqui.

Mas na minha opinião, a presença no Vale é importante para qualquer empresário da área de tecnologia e Internet.

Vivendo Tecnologia e Empreendedorismo

Depois de 20 anos aqui, nem noto essas coisas.  Em 2007, em uma festa de aniversário, conversei sobre arquitetura de microprocessadores com o marido de uma pessoa que trabalhava comigo. Em 2009, a empresa dele foi comprada pela Apple. Em 2010, a Apple lançava o iPad, usando o processador que ele projetou.

Todo sábado de manhã, participo de um grupo que faz caminhadas pelas trilhas aqui. Nesse último sábado eu tinha um visitante brasileiro (o Leandro, da Ledface) e o levei lá. Rolaram papos como “Será que Hadoop é a arquitetura correta para aplicações big data?” (engenheiros da SAP, HP e Oracle estavam lá) ou “Quem é que conhece algum VC interessado em aplicações de crowdsourcing?”.

É verdade que a Internet está democratizando o acesso e diminuindo as distâncias e o tempo de propagação da informação. Quando fui a Campinas em Junho, fiquei impressionado com a energia empreendedora e com a disponibilidade de informações e conhecimento na comunidade local.

Mas o eco-sistema empreendedor ainda é o mais completo no Vale do Silício.

Tres razões pela qual Empreendedores Brasileiros em tecnologia devem considerar estabelecer presença no Vale do Silício.

  • Vivendo Technologia – Estar no Vale te expõe a idéias novas no cotidiano, parte normal da sua vida social. É a diferença entre ficar sabendo na fonte ou ler 6 meses depois no TechCrunch. Esses 6 meses fazem toda a diferença na vida do empreendedor e no sucesso de iniciativas em tecnologia.
  • Eco-sistema Empreendedor – Desde o capital, passando pela infra-estrutura de suporte ao empreendedor (Investidores, VCs, incubadores), até a disponibilidade de gente com experiências passadas. Está tudo aqui, concentrado em um espaço pequeno e pré-interligado.
  • Mercado para Tecnologia – Um grande desafio para empreendedores em Tecnologia é encontrar os “early adopters”, gente que está disposta a gastar tempo para entender produtos antes deles se tornarem mainstream. Vá a qualquer loja do Fry’s Electronics no sábado de manhã e você vai encontrar 200 deles na sua frente.

Churrasco e Barbecue


O que o brasileiro tem que saber para comer carne nos EUA

(if you are not Brazilian, you should be reading this post instead)

Hoje é 4 de Julho, dia que se comemora a Independência dos Estados Unidos. E também o dia aqui na California em que se acende a grelha no quintal e se convida os amigos para uma cerveja e… um churrasco.

Comer carne é parte importante da cultura e da dieta brasileira e americana. Como nasci no Brasil, moro na California, visitei a Australia (outro pais com tradição churrasqueira) e já passei um tempo no Alabama (onde barbecue tem outro significado), já vi muito mal-entendido quando o assunto é comer carne.

Então, antes de sair para o meu BBQ de quatro de julho, sentei aqui para esclarecer algumas dessas confusões.

Primeiro, a carne

O boi americano é genéticamente diferente do boi brasileiro. O brasileiro tem mais “Zebu” (originado na India) enquanto o boi americano tem mais “Taurino” (originado na Europa). Os métodos de criação de gado nos EUA são mais intensivos, com o boi confinado e alimentado com milho e outros grãos.

O resultado é que a carne bovina americana é mais gordurosa, mas macia e provavelmente menos saudável. No sistema de classificação do USDA (Departamento de Agricultura), uma carne tem graduação mais alta quando tem mais “marbling” (gordura misturada na carne, resultado da alimentação com grãos).

Os cortes de carne nos EUA também são diferentes. Para entender os detalhes, veja esse artigo. Alcatra é “Eye Round”. Contra-Filé é “Strip Steak/Rib Eye”. Maminha é “Sirloin”. Picanha é difícil de encontrar (porque ele acaba dividido e misturado com outros cortes), mas quando se acha, é “Top Sirloin”.

Confusão, confusão

No Brasil, nós comemos “bife” (uma porção de carne, cortado em um filé fino, normalmente frito na panela ou chapa e servido no prato) ou “churrasco” (normalmente assadas no espeto ou na grelha e fatiadas no momento de servir).

Imagino que “bife” é uma tradução mal-feita de “beef” a palavra em inglês para designar carne bovina. Bife aqui é “steak”.

“Barbecue” é uma palavra usada nos paises de língua inglesa para o aparato para se cozinhar carne (a “churrasqueira”) ou o evento onde se prepara carne na grelha (a “churrascada”).

Mas no sul dos EUA  “Barbecue” (BBQ) tomou significado próprio. É uma forma específica de se preparar carne (normalmente suína): a carne é defumada e cozida em temperatura baixa por várias horas até ficar bem macia (“fall off the bone”) e servida com um molho doce a base de tomate, vinagre e acúcar (“BBQ sauce”).

  1. Carne = Beef
  2. Bife = Steak (maior e mais grosso que bife)
  3. Churrasqueira = Barbecue (fora dos EUA)
  4. Churrasqueira = Grill (EUA)
  5. Churrasco = Barbecue (California)
  6. Carne desfiada com molho = Barbecue (EUA)
  7. Não coloque molho BBQ no bife ou churrasco

Então, como se come carne nos EUA?

Enquanto no Brasil tem gente que come um “bife” quase todo dia, nos EUA, quem come carne no dia-a-dia, normalmente o faz na forma de hamburger no restaurante fast-food.

O “steak” americano é um pedaço substancial de carne (normalmente 300-500g) de uns 3cm de altura, temperado com sal e pimenta do reino, preparado na grelha e servido ao ponto. É como se come carne quando se vai a um “steak house”.

Os cortes melhores e mais populares são o “Rib Eye Steak” ou o “NY Strip Steak” (ambos em torno do contra-filé).

Quando se pede carne em um restaurante, você vai ouvir a pergunta “How do you want your steak cooked?” As respostas esperadas são “rare” (tostado fora, cru por dentro), “medium-rare” (ao ponto, que é o ponto certo), ou “medium” (um pouco mais passado que ao ponto). Se você disser “medium-well” ou “well-done” (bem passado), corre o risco de ser chutado para fora do restaurante (o que seria bem merecido).

A imagem que americano come “hamburger e hot dog” é correta até certo ponto, mas é normalmente distorcida para indicar que americanos não entendem de carne (o que não é verdade).

No churrasco do quintal, hot dogs são para as crianças. Além dos “steaks”, o corte mais comum para se assar carne na grelha em peça inteira é o “tri-tip”.

Nos EUA, o termo “Barbecue” pode ser usado como o brasileiro usa “churrasco” (uma reunião onde se prepara carne na grelha), mas também indica um jeito específico de se preparar carne no sul (defumada, assada em fogo baixo por horas, servida com molhos doces).

Preste atenção no contexto. Se estiver na California e te convidarem para um BBQ no quintal, provavelmente é um churrasco como você está acostumado. Se perguntarem se “voce gosta de BBQ?” ou convidarem para ir a um “BBQ restaurant”, isso significa outra coisa.

Colocar molho BBQ no steak é confusão de Californianos que não entendem de carne e que (pasmem) as vezes é copiado em outros lugares por gente desinformada. Em boas steak-houses, pedir “BBQ sauce” é ofensa ao mestre churrasqueiro.

Churrascarias, ou “Brazilian Steak Houses” ficaram comuns nos EUA nos últimos anos. O Fogo de Chão (que tem mais restaurantes nos EUA que no Brasil) e outra cadeias brasileiras tem restaurantes na maioria das capitais americanas. O americano sofre tentando pronunciar “churrascaria”, mas gosta da experiência.