Minhas Partes Privadas


(This post originally written for ITweb.com.br)

Paralelo entre Privacidade Pessoal e Transparência Corporativa

No passado, eu me esforçava para manter minha vida relativamente privada. Não apenas no sentido de manter informação pessoal fora do domínio público, mas também em segmentar meus círculos pessoais. Eu tinha várias identidades, com separação clara em como eu me apresentava para a família, amigos, colegas de trabalho, etc.

Quando eu comecei a usar redes sociais online alguns anos atrás, inicialmente trouxe a segmentação para a vida digital – eu comunicava com a família usando to telefone e email, Facebook com meus amigos na California, LinkedIn para contatos profissionais, etc. Mas com o passar do tempo, ficou cada vez mais difícil evitar o vazamento de contexto entre esses grupos.

Menos segmentação

Até o ponto onde eu desisti de manter essa segmentação. Uma vez que nos abrimos, fica muito difícil gerenciar o que se diz para cada grupo e quem pertence a mais de um grupo. Eu ainda procuro rotear informação relevante para as pessoas corretas, mas assumo que tudo o que eu digo online pode e vai ser visto por todo mundo. De certa forma, desisti de minha privacidade (como a maior parte das pessoas a definiria).

Foi difícil fazer esse salto, mas o que eu descobri é que a experiência de fazê-lo foi liberadora. Uma vez internalizada essa nova transparência, eu não preciso mais pensar duas vezes sobre quem é a audiência antes de escrever ou dizer algo. Eu posso dizer o que eu realmente penso, desde que seja algo que eu estaja disposto a dividir com o mundo.

Eu não defendo o fim ao direito a segmentação, privacidade, ou segredo. Pelo contrário, esses direitos se tornam ainda mais importantes para a liberdade em um mundo mais conectado. O que eu quero dizer é que, de uma perspectiva pessoal, limitar o nosso exercício exagerado desses direitos pela ilusão de privacidade pode ser uma experiência muito positiva.

Peço que reflita sobre isso. A nova geração (os “Millennials” – gente que cresceu com a mídia digital) só conhece esse jeito mais transparente de ser.

O pessoal se torna empresarial

Meu argumento nesse artigo é que o mesmo se aplica às empresas e organizações. Sempre que falo em transparência organizacional, encontro ceticismo de gente como eu, treinada em segmentação funcional, onde cada departamento ou funcionário foca em um pedaço do problema e não precisa ter a visão do todo.

Mas o mundo está mudando. Nós vamos de uma realidade onde cada um sabe apenas o que é necessário, para onde informação é pública por default. Transparência corporativa sacrifica algum foco e responsabilidade individual mas, se a visão e estratégia forem projetadas corretamente, traz ganhos na execução e alinhamento de todos na organização.

Para empresas se relacionarem com um mercado onde consumidores estão informados e conectados a mídia social e os funcionários são condicionados a operar de forma colaborativa, elas precisam se tornar mais a transparentes para sobreviver. Essa transformação tem que acontecer de dentro para fora. A organização tem que ter confiança nos funcionários e dar autonomia que eles possam a representar bem. frente aos clientes.

Se você ainda está cético, é hora de refletir. A experiência organizacional vai seguir o mesmo padrão que estamos enfrentando na nossa vida privada. Uma vez que nos abrimos mais para o mundo, descobrimos que é mais fácil e melhor viver assim. É mais fácil fazer negócios assim. É uma questão de sobrevivência.

E você, qual é o seu segredo?

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